domingo, 10 de fevereiro de 2008

Um exemplo de "concordância prática"

Alguns podem pensar que estou sendo incoerente ao não publicar uma versão digital do livro (Curso de Direitos Fundamentais) aqui no blog. Afinal, não sou eu um grande defensor da democratização do conhecimento?


Ocorre que, no caso, há uma colisão de valores. :-)


De um lado, minha vontade sincera é divulgar o livro para que a maior quantidade de pessoas tenham acesso a ele. Por mim, o livro já estaria disponível aqui na íntegra, gratuitamente, para qualquer interessado.


O problema é que (e aqui surge a colisão de valores) nenhuma editora seria louca de custear toda a edição e publicação de um livro que já está disponível na internet. É uma regra simples de mercado que não preciso explicar.


Em casos de colisão de valores, a primeira preocupação é sempre tentar conciliar os interesses em jogo, de modo que nenhum seja sacrificado de forma absoluta. Ou seja, tenta-se equilibrar ou harmonizar os interesses conflitantes (princípio da concordância prática). Não posso simplesmente disponibilizá-lo "on-line" e esquecer a publicação em papel (que tem também uma importância especial para mim) como também não posso publicá-lo em papel e esquecer o compartilhamento de informações proporcionado pela internet.


Desse modo, aplicando o princípio da concordância prática, tomei a seguinte decisão: durante o primeiro ano do livro, divulgarei, na internet, apenas o essencial do seu conteúdo, a fim de prestigiar os interesses comerciais da editora que irá financiar, sem nenhuma garantia de retorno, a sua publicação. Depois, se o livro não emplacar no mercado "de papel", terei o maior prazer de disponibilizá-lo on-line de forma gratuita.


Só mais uma coisa.


Cascavilhando uns arquivos do meu antigo site, encontrei um "editorial" (que nada mais era do que um embrião deste blog), datado de 24 de novembro de 2003, que dizia assim: "A propósito, decidi escrever um Curso de Direitos Humanos e Direitos Fundamentais. É um projeto a longo prazo e espero concluí-lo lá pelo ano de 2006. Vou ver se fico colocando alguns capítulos aqui no site..."


Como prazo de juiz é sempre impróprio, creio que o atraso de dois anos até que não foi tão longo assim... :-)


De qualquer modo, foram praticamente cinco anos escrevendo este livro (isso sem falar que nos anos anteriores eu já estava envolvido academicamente com o tema). O Curso, realmente, representa muito para mim. Daí a minha preocupação em publicá-lo em papel. Se não fosse isso, certamente eu o disponibilizaria aqui no blog, até porque TODOS os meus trabalhos acadêmicos estão acessíveis para quem quiser, inclusive dissertação de mestrado, monografias de especialização, entre outros, que certamente poderiam ser publicados "em papel".


Era isso. De qualquer modo, tentarei com a editora um desconto especial para os fiéis visitantes deste blog ou até mesmo o sorteio de alguns livros para os comentadores... :-)

18 comentários:

Anônimo disse...

Democratizar o livro nao implica em distribui-lo gratuitamente.

Um grande exemplo de acesso ao conhecimento foi dado por JORGE KAJURU. Seu livro, "condenado a falar", custa apenas 1 REAL.

Inviavel? nao! Pois vender muito a um baixo preco pode, no final, dar na mesma do que vender pouco a um alto custo.

Joao Paulo
brasilia

George Marmelstein disse...

João Paulo, é verdade.
Tanto que não pretendo ganhar um centavo com a venda dos livros. Felizmente, minha renda principal vem da magitratura e, em menor grau, do magistério.
Aqui no Brasil, tirando uns cinco a dez autores, ninguém ganha dinheiro com livros jurídicos, senão as editoras. Mas, ao mesmo tempo, são elas que financiam, distribuem, divulgam e assumem todo o risco do negócio.
O livro (em papel) para mim é muito mais um símbolo de vaidade (saudável) do que de lucro.
Por isso, não abro mão da sua publicação tradicional (e por isso, fico impossibilidado de digitalizá-lo por respeito à editora).
Tenho certeza de que, em menos de seis meses, o livro estará "digitalizado" em blogs e emules pela internet afora. Vou gostar quando isso ocorrer, pois é um sinal de sucesso.
Aliás, meus alunos já possuem uma cópia na xerox, com minha autorização, de todo o conteúdo do livro e jamais vou reclamar de um aluno que prefira uma cópia xerocopiada mais barata do que um livro "bonitinho" bem mais caro.
O importante é que ele seja lido.
Mas para ser lido, tem que ser publicado, não é mesmo?

George Marmelstein

Danilo Nascimento Cruz disse...

Caro George,

Vendo toda essa celeuma, lembrei de algo que minha querida avó dizia: "Não se pode estender a mão, que se quer logo o braço."

Abraços cordiais,

Danilo Cruz
http://piauijuridico.blogspot.com

Anônimo disse...

Lembrou dessa frase feita, porque de tanto bajular o dr. George ja recebeu o livro gratuitamente.

Joao Paulo

Thiago disse...

Eu sou um antigo visitador do site (desde que o portal estava no hpg), e sempre acompanho e leio realmente tudo quanto é postado, até mesmo os coments. Eu irei comprar o livro, e também irei baixar, pois o formato digital facilita bastante. Quanto ao comentário sobre o Kajuru, vários episódios da vida dele poderiam estar inseridos no curso, porém não cabe comparação com o conteúdo do livro dele com um livro jurídico sobre direitos fundamentais, até porque, se ele (o Kajuru) tivesse um conhecimento mínimo sobre direitos fundamentais, ele não faria ou falaria metade das coisas que faz ou fala.

Anônimo disse...

vai comprar o livro e ainda vai baixa-lo? Por que nao tira tambem xerox?

1-Eu nao sou tiete do prof. George. Se o livro dele tiver uma "merda", serei o primeiro a anunciar aqui mesmo no blog.

2-O que tem a ver kajuru com direitos fundamentais? Ofensa aos sagrados direitos fundamentais num programa de esporte? Essa eh nova!

3- Kajuru tem mais fama do que o profesor george, escreveu tambem cerca de 400 paginas, nao citou ninguem, tudo la eh criacao dele, mesmo assim sua obra prima vale 1 REAL. Foi essa a comparacao!

Joao paulo

George Marmelstein disse...

João Paulo,
já que você é fã de "frases feitas" :-) lembrei de uma:
ninguém joga pedras em árvores que não têm frutos.
Não lembro quem é o autor, mas podia ser tanto de Kant quanto da Carla Perez (ou mesmo de Kelsen...).

George Marmelstein

Anônimo disse...

Discordo da frase:

Eh bem possivel jogar pedra em arvore sem frutos. Basta que sua copa nao seja podada. Assim, pode enganar o atirador, o qual pode la nada encontrar ou, ate mesmo, deparar-se com frutos podres.

George Marmelstein disse...

Vai gostar de frutos podres assim...

Thiago disse...

Alguns esclarecimentos:

I - Eu irei baixá-lo e comprá-lo sim, pois além da autorização feita, atenderão às minhas necessidades (prazer de ler in manu propria e praticidade no PC ou Note).

II - Pode até ser tietagem, não importa, pois rótulos atendem apenas as necessidades daqueles que etiquetam (o professor Alessandro Barata realmente estava certo quanto à teoria do labeling aproach).

III - Frutos podres ou frutos da arvore envenenada, talvez até caiba alguma elucubração qualquer, mas não com relação ao tal do Kajuru, que viola, extrapola, vários direitos fundamentais, como por exemplo, a mais famosa gaiatice por ele praticada, quando levou aquele lutador de boxe ao programa da bandeirantes, e passou a humilhá-lo e expô-lo em rede nacional, já sabendo que a lei da física se comprovaria novamente, afinal para cada ação...tal qual fazem usualmente o varios outros apresentadores (de ou da) Massa. Sem prolongar o debate, pois não sou adepto ao jornalismo sensacionalista, apimentado e objetivo, tal qual satirizou o famoso escritor Mark Twain em um texto entitulado Jornalismo no Tennesse (v. Contos e Poemas para Crianças Extremamente Inteligentes de Todas as Idades - Vol II - Verão - Harold Bloom).

Espero que você realmente aponte erros no livro, não seria demérito.

E a proposito, vamos conversar melhor sobre eventual desconto para os frequentadores do site :)

Abraço.

Thiago.

Anônimo disse...

E a propósito, o livro não custa R$ 1,00 (um real), pois os custos são camuflados pelo "frete", ninguém nunca pagará só um real, é mais uma maneira do Kajuru falar a verdade para sua audiência.

Veja-se, na entrevista dada pelo Kajuru no UOL (http://televisao.uol.com.br/ultnot/2007/12/18/ult4244u601.jhtm):

(03:30:37) Marcelo Tas: Quanto custou para imprimir cada exemplar desse livro. Então como ele pode custar R$ 1 real?

(03:33:54) Jorge Kajuru: Quando lancei este livro todos diziam que eu estava mais louco do que já sou. Eu tenho transtorno bipolar, quem tem vai da depressão à euforia. Graças a Deus que o meu transtorno e bi e não mono... Os meus colegas falaram que eu era maluco e não iria encontrar uma gráfica. Mas quando saiu a primeira notícia nacional surgiu o convite. O presidente da editora Escala adorou a idéia e me chamou para conversar. Ele falou que o livro custaria em média R$ 3,80 para ele. Aceitou o preço a R$ 1,00 e mais R$ 2,00 de frete.


Só ai já seriam R$ 3,00 (três reais), mas não é só isso, pois a informação constante do site que vende o livro (http://www.escala.com.br/detalhe.asp?id=8806&grupo=16&cat=44) diz:


FRETE FIXO para todo o Brasil: R$ 2,00 por livro.

- Compras feitas via boleto que contenham apenas este item no carrinho, serão cobrados R$ 2,00 de Taxa de Boleto Bancário.


Quer dizer, eu pago R$ 5,00 (cinco reais) e digo que custou só R$ 1,00 (um real).
Que maneira de falar a verdade, essa eu nunca tinha visto, deve ser a verdade à Kajuru.

Esse sim é o verdadeiro fruto. Fruto da ficção, da invencionice, do embuste, do enredo, e demais quejandos, da mente de um néscio como o Kajuru que só faz prosélitos e angaria asseclas.

e tenho dito!

Anônimo disse...

que custe 5 reais o livro! E o do George, quanto acha que custara?

Sabe de tantos detalhes que ja deve ter comprado e devorado o livro.

Embuste, quejandos, asseclas... Essas palavras e outras vc deve ter aprendido em livros escritos por autores imbecis de direito, os quais para disfarcarem as pobrezas de suas ideais, utilizam essas invencionices.

Pegue bobbio e vera algo que o diferencia dos demais:

Grandes ideias numa linguagem facil. Vai ver seja tao bom, porque nao tenha passado sua vida lendo livros apenas de Direito.

Por fim, criticar o Kajuru por vender um livro por 5 reais beira a sacanagem. Pois qualquer livreco juridico, recheado de notas de rodape, sem nada de novo, nao custa menos do que 50!

Joao Paulo

Anônimo disse...

LEMBRO que no dia do lutador de boxe o kajuru quase apanhou. Pois afirmou que o lutador foi covarde por dar um soco em seu oponente, que ja estava vencido.
Nao mereceria o Kajuru um premio da turma dos direitos humanos?

Anônimo disse...

LEMBRO que no dia do lutador de boxe o kajuru quase apanhou. Pois afirmou que o lutador foi covarde por dar um soco em seu oponente, que ja estava vencido.
Nao mereceria o Kajuru um premio da turma dos direitos humanos?

Thiago disse...

Pensei que o livro custasse 1 real. Será então que a mentira na capa do livro não desabona em nada o conteúdo, que com certeza deve ser do mais alto valor cultural?

quanto as palavras frisadas e destacadas por você, pensei que qualquer um que lesse no mínimo 1 livro literatura, OU EM FIM, QUALQUER LIVRO QUE VERSE E TRAGA CULTURA , soubesse o que significa.

E te parabenizo por saber ler italiano, pois para falar da linguagem utilizada pelo Norberto, ou se sabe ler italiano, neste caso nos originais, ou se limita a comentar da linguagem utilizada pelo tradtor. Pelo visto você está falando do primeiro, ou será do segundo ? de qualquer forma parabéns! Congratulazzione!

Ainda sobre o tal do Kajuru, que não merece ser tão comentado assim, não li o livro, quanto mais devorá-lo, mas se vier a ler talvez chegue a vomitar! é que eu passo mal com gabolices, bazófias, só para utilizar algumas palavras que você não gosta!

Quanto ao prémio de direitos humanos, este deveria sim ser entregue, porém, não para o Kajuru e sim para o boxeador! Uma luta de boxe tem 4 maneiras de acabar, ou o treinador joga a toalha, ou o perdedor desiste antes de cair, ou árbitro encerra a luta por falta de condições, ou a melhor de todas: K.O

No caso não aconteceu nada disso, a não ser a última hipótese.

Diretamente de brasília-DF

Thiago.

Anônimo disse...

ou maluqueti, de quem vc eh tiete?
"chiclete com banana"

Sugestao de musica ao colega acima.

Anônimo disse...

O cara le os originais do Bobbio em italiano. Eh um fanfarrao mesmo. Ja deve ter lido ate o digesto.
Sorte a nossa ter um colega de blog tao culto.

Anônimo disse...

Éh verdade, esse João Paulo é um fanfarrão.

Essa sugestão de música serve para ele heheheheh, já que ele é tiete do Kajuru.